Início seta Entrevistas seta Entrevistas seta Entrevista: Postwar - Santo André






Entrevista: Postwar - Santo André Imprimir E-mail
Escrito por Jesley Augusto Vicente da Silva   
07-Dez-2007

 O Postwar foi formado no ano de 2001, na cidade de Santo André ( ABC Paulista ) por Cleber Orsioli e Elvis Santos ( respectivamente Vocal/Guitarra e Baterista ) com o intuito de tocar Metal influenciado por bandas como Slayer, Pantera, Megadeth e outras. Nesse período, a banda teve vários nomes e formações, e hoje se completa estabilizada com Bruno Amorim ( Baixo ) e Marcio Garcia ( Guitarra ). A demo Attack é lançada no final de 2005 e se destacou devido a grande produção e profissionalismo da banda.

 

Conversamos com Cleber Orsioli a respeito da demo de estréia, planos para o futuro e a situação do underground brasileiro refletida em suas músicas. Confira :

 

Em 2007, o Postwar completou seis anos de existência. Após mudanças no nome, na formação e o encerramento momentâneo de suas atividades (em 2004, retornando no ano seguinte), hoje a banda está com uma formação estabilizada. Qual foi o principal motivo para a volta da banda e como você analisa todo esse processo de mudança?

 

Primeiramente, valeu Jesley e todos da Rock Music pelo espaço cedido. Após a banda ter encerrado as atividades e  tentado, sem êxito, fazer um som com outras formações e possibilidades (outros nomes), decidimos voltar sobre o nome POSTWAR, pela simplicidade e facilidade (no fato de já estar definido anteriormente). Ralamos pra caramba pra fechar uma formação estável e segura para gravar a demo de estréia, fato esse que só se concretizou em 2005. Todos esses obstáculos serviram pra banda se “achar” e dar o máximo pelo ideal, que é sempre divulgar da forma mais profissional possível, um trabalho honesto a todos que admiram o estilo que tocamos. Se não fosse a pausa forçada em 2004, as tentativas falhas na seqüência e todos os obstáculos do caminho, desde a pausa até o momento atual, é bem capaz que estivéssemos fazendo outra coisa ou levando a banda num patamar muito inferior ao que tentamos passar, sem dar o devido valor aos nossos sonhos.

 

No ano seguinte à volta da banda, vocês lançaram a demo “Attack”, vocês já tinham material composto?


Sim, com certeza. Antes mesmo da pausa, já tínhamos o som THE DOOMSDAY e EYES FOR FATALITY (que viria a se chamar TYRANNY na demo de estréia). A música SAVE YOUR SINFUL GOD estava, naquele momento, quase que 100% pronta. Durante o período das tentativas, concluímos algumas idéias, mas nada que fosse aproveitado na seqüência. Após o retorno da banda, compusemos o som EVIL LEADER e, trabalhando uma idéia que foi excluída da “The Doomsday”, fechamos o som THE PUNISHMENT.  Naquele momento já tínhamos uns 3 (três) sons à mais compostos mas que deixamos de lado naquele momento. Num curto período, agilizamos muita coisa. Em 5 (cinco) meses, definimos o material da Demo, da forma que está registrada.

 

A produção a cargo de Marcelo "Índio" D'Castro (Necromancia), demonstrou muita qualidade e supera as expectativas. Como foi trabalhar com Marcelo "Índio" D' Castro?


Então, na época da pré-produção da Demo, eu fazia aula de guitarra com o “Índio”, que além de Guitarrista / Vocalista da grande banda NECROMANCIA (Thrash Metal do ABC Paulista), é um dos melhores professores de guitarra da região do ABC. Durante as aulas, mostrava para ele as idéias que estavam saindo (dos nossos sons) e conversávamos bastante, e eu sempre pedindo dicas (rss...). No processo de gravação propriamente dito, ele não estava presente, mas todas as dicas dele foram aproveitadas, devido a enorme experiência do cara. Muitas das idéias diferenciais da SAVE YOUR SINFUL GOD, da EVIL LEADER e da TYRANNY partiram dele. Devemos muito à sua ajuda, assim como devemos muito às dicas do Nelsão da banda TRANSFIXION (Thrash Metal do ABC Paulista também) e a todos que nos ajudaram naquele momento. Se agora trabalhamos profissionalmente como banda, é devido a esses caras.

 

Demonstrando mais qualidade, a banda colocou no encarte da demo todas as letras em português. De quem partiu essa idéia?


Bom, a banda TRANSFIXION também tem essa preocupação, tanto que desde o primeiro cd deles já existia essa coisa de trazer ao público as letras originais em inglês e suas devidas traduções. Acreditamos que, se o fã do estilo adquiri o seu material, ele TEM O DIREITO de aproveitar 100% do mesmo. Não são todos que tem conhecimento do idioma inglês, então essa forma ajuda a aproveitarem o cd de todas as formas. Gostaria que todas as bandas brasileiras seguissem por esse caminho.

 

Uma curiosidade, na faixa The Punishment, vocês abordam o tema das bandas do Brasil que não são recebidas de braços abertos, e as bandas que negam sua origem. Como vocês tiveram a idéia para essa letra?


Essa letra / idéia é de autoria do nosso baterista, Elvis, e retrata na verdade, vários pontos de vista. Se formos analisar, a letra fala do público que, ao invés de gastar (por exemplo) 3 (três) reais na entrada de algum evento, ele gasta o mesmo em bebida. Fala dos organizadores que não apóiam a cena e só organizam eventos com bandas internacionais que muitas vezes são de nível inferior a MUITAS bandas brasileiras (com ingressos a preços exorbitantes – com certeza somente buscando a satisfação financeira), além de falar também das bandas que se menosprezam, apenas para ter o seu lugar ao sol, muitas vezes se prostituindo na cena metal nacional. A interpretação desta música fica a cargo do ouvinte, mas tentamos apenas dar uma “cutucada” na cena underground. Quem vive e convive em eventos e tem contatos com bandas, sabe do que a letra fala. Particularmente, gostaria de que nenhuma banda necessitasse tocar em tal assunto, mas tal fato é importante para plantar essa semente na cabeça desse povo.

 

Vocês pretendem manter a mesma linha de crítica/fanatismo em suas letras? Como é o trabalho de composição da banda?


Acredito que sim, mas não saberia dizer com total certeza. A letra é algo que apenas “surge”. Até o momento, tentamos abordar tais temas pelo fato de ser de teor mais “construtivo” e de certa forma, contribuir com novas visões. Quanto ao nosso trabalho de composição, isso varia, pois cada caso é um caso, sendo que não temos um “padrão” à seguir. Muitas vezes, ocorre da letra entrar depois, por sobre a base, mas nem sempre funciona assim, principalmente em músicas onde existe uma história por trás (no caso das letras – por exemplo, no som THE DOOMSDAY). Algumas idéias de harmonias são trazidas prontas por um integrante, sendo trabalhada em conjunto depois. Em outros casos, tudo ocorre na hora, trabalhando-se com o tempo durante os ensaios.

 

“Attack” recebeu ótimas críticas da mídia especializada. Como você analisa a repercussão da demo? Ela foi distribuída em outras partes do Brasil ou no exterior?


Eu particularmente estou muitíssimo contente com a repercussão do nosso material. Tudo aconteceu melhor do que esperávamos, e por sorte, pudemos contar com muita ajuda na nossa divulgação, sendo participando de entrevistas ou tendo resenhas positivas quanto ao nosso CD-Demo. A distribuição foi feita basicamente no Brasil e inteiramente pela banda. Contamos com alguns parceiros de distribuição, mas atualmente está tudo em nossas mãos e em nossas limitações, mas tudo funcionou da melhor forma possível até o momento. Temos conhecimento de que tivemos o material enviado para a Bolívia por uma amiga minha que deu essa força, onde foi parar nas mãos de um cara que tem programa de metal em uma rádio do país. Na Argentina também, mesmo esquema. E com certeza, esse cara divulga pra outro, que divulga pra outro... Aqui funciona assim também. Troca de informações. Até agora, não temos do que reclamar.

 

Vocês estão tocando material novo nos shows? Como está sendo a reação do público? Os covers acontecem?


Estamos tocando novos sons em nossos shows e parece que a aceitação está rolando. Não posso falar pelo público, mas as cabeças chacoalham bastante nesses sons (rss...). As novas músicas seguem a mesma linha dos sons da demo, então não tem como “chocar” ninguém durante a apresentação. Os sons covers também rolam, mas apenas como complemento e para mostrar as nossas influências. Tocamos sons de várias bandas como KREATOR, VENOM, TESTAMENT, MOTÖRHEAD, METALLICA, EXODUS... Esse momento é o momento da diversão sem preocupação (pelo menos da minha parte... rss...), pois eu mesmo largo o cargo de vocal e simplesmente toco a minha guitarra, deixando o “peso” do vocal pro Bruno (baixista).

 

Vocês tem planos para lançarem o tão aguardado debut? Ele seguirá a mesma linha das músicas da demo, assim como, as novas músicas executadas ao vivo ?


Temos planos sim. Na verdade, à partir de janeiro de 2008, entraremos em estúdio pra registrar o nosso Debut Album (que se chamará REVOLUTION, RELIGION AND DISORDER). A produção ficará a cargo do produtor Claudio David, que é guitarrista das bandas OVERDOSE (Uma das bandas pioneiras do metal nacional) e ELÉTRIKA, além de ter produzido bandas como SARCÓFAGO, NOTURNA, ESCARPUS e outras, além de ter produzido as suas próprias bandas. A gravação será feita parte em São Bernardo do Campo - SP, parte em Belo Horizonte – MG e estamos muito ansiosos para darmos o pontapé inicial. As músicas seguirão a mesma linha da demo sim, mas com qualidade infinitamente superior e com idéias muito mais bem trabalhadas, algo do nível das gravações estrangeiras, que é algo que estamos buscando.

 

Qual a maior dificuldade para uma banda, no Brasil, lançar o tão aguardado debut?


Com certeza a maior dificuldade para todas as bandas são as parcerias financeiras. Lá fora, muitas bandas têm a possibilidade de gravar em seu próprio estúdio, com equipamento de ponta, sem contar o acesso a produtores “TOP de linha” que assessoram tais bandas neste momento complicado a conseguirem o melhor som, melhor timbre de instrumentos e dando dicas para deixar o som com apenas as melhores idéias. Aqui, as bandas fazem empréstimos bancários ou demoram anos juntando dinheiro para gravar, e em muitos casos (infelizmente) as bandas não conseguem o nível de gravação desejado. O lançamento do CD também é algo complicado, pois existem muitas pessoas interesseiras que querem apenas se aproveitar das bandas, lançando um material sem divulgação ou promoção, não dando o devido valor. Para todos, é uma luta diária, onde muitos desistem ou ficam na mesma, esperando uma gravadora cair do céu (literalmente). Admiro muito os artistas que fazem as coisas acontecerem, indiferente às complicações no meio do caminho.

 

Após uma demo com tamanha qualidade e profissionalismo, qual é a responsabilidade de lançar o debut e não decepcionar os fãs ?


A responsabilidade é enorme, mas temos a noção que faremos o melhor em nossas possibilidades. E outra, se a mesma demo fosse lançada agora, dois anos depois, ela já seria muito melhor do que é originalmente. Evoluímos musicalmente e temos total confiança no trabalho de todos os envolvidos. Ainda mais agora com a formação “fechada” novamente. Em breve, vem porradaria por aí.

 

Em janeiro desse ano, Marcio Garcia entrou para a banda substituindo Maurício Rodrigues, que saiu em dezembro de 2006. Qual foi o motivo para mais essa mudança na formação do Postwar?


O motivo foi que nosso antigo guitarrista não estava mais interessado em continuar na banda, devido a seus compromissos particulares, como trabalho e faculdade. Como precisávamos de um integrante que se dedicasse 100% para o POSTWAR, após uma indicação de um grande amigo nosso (Paulo, baterista da banda PULLVERIZER – Thrash Metal de Mauá – SP), chegamos ao Marcio que estava parado naquele momento. Após uma curta conversa regada à cerveja, conseguimos um ótimo guitarrista e acima de tudo, um novo grande amigo. Estamos muito contentes com tudo até o momento.

 

A cena metal hoje no Brasil e, principalmente, em São Paulo é bem forte. Como você analisa a cena de hoje?


Analiso positivamente, com certeza, pois na cena atual existem muitas bandas com qualidade sonora, batalhando para divulgar o seu trabalho de forma honesta e acessível à todos. O único problema que vejo são alguns organizadores que não dão espaço para tais bandas ou, se dá o espaço, não oferece o mínimo de estrutura “básica necessária” para um bom evento, tanto pra banda quanto para o público (que são aqueles que mais têm de se beneficiar com o evento). Apesar de tudo, aos poucos, as coisas estão melhorando, e não só em São Paulo com em todo o Brasil, fortalecendo a Cena Metal cada vez mais. Isso realmente é muito bom.

 

Ouvindo Attack, percebe-se que algumas influências são notórias, como Pantera, Slayer e Megadeth. Como você vê o fato de rotularem a banda? Fato esse, que pode prejudicar o espaço da banda.


Bom, realmente as bandas acima citadas serviram (e ainda servem) de influência para nós, mas tentamos fazer sempre as coisas do nosso jeito, sem nos prendermos à rótulos. O fato de rotularem a banda nos deixa em situações, digamos, inusitadas, como já aconteceram em alguns festivais onde só tocamos com bandas 80’s. Mesmo curtindo o que as bandas faziam naquela época e curtindo o trabalho das bandas que ainda levantam a bandeira, não é o nosso intuito ser rotulado como tal. Somos Thrash, e só. Aliás, somos influenciados por muitos sons, alguns anteriores aos sons dos anos 80 e outros ainda, posteriores aos 80’s. Gostamos desde o Hard / Heavy até o Black / Death metal. Creio que a melhor forma de saber como soam as nossas músicas, é ouvindo o nosso trabalho ou, até mesmo, indo prestigiar a algum show nosso, e sempre com a mente aberta.

 

 Abindo para o Torture Squad - 01/12/2007Conte-nos como foi o melhor show já executado por vocês e porque ele se destacou dentre os anteriores.


Acredito que o nosso melhor show ainda está por vir (rss...). Alguns shows que particularmente me marcaram, foram os três últimos na nossa cidade (Santo André – SP), onde tocamos com grandes amigos e dividimos o palco com grandes bandas, entre elas o TRANSFIXION, o SEVENTH SEAL e o TORTURE SQUAD. Mas com certeza, o nosso melhor show ainda está por vir.

 

Como você vê a facilidade dos downloads de hoje? Visto que as bandas perdem muito com isso. E como o Postwar tentará se manter com essa facilidade à disposição de todos?


Cara, na real eu não sou contra ao download. Por mais insano que possa soar, a música virtual ajuda bastante na divulgação do trabalho de uma banda que não tem apoio e tal fato não irá acabar com o cd. Eu particularmente acho difícil. Veja que a TV não acabou com o cinema, a fita K7 não acabou com o vinil e mesmo este último, mesmo tendo se tornado um item de colecionador, ainda existem fiéis admiradores, que querem ter o material em mãos e de certa forma  “sentir” o trabalho. O mesmo caso é o CD. Encarte, fotos... Um arquivo mp3 não leva isso para a nossa "caixinha de som". Eu, pelo menos, prefiro ter um cd original com tudo que tem direito, e não um arquivo no meu PC. O Mp3 serve apenas para um primeiro contato. Até o momento, a banda não pensou em nada para o assunto, mas creio que nesse mundo atual, onde a internet está aí pra facilitar a vida de todos, se esconder disso seria um retrocesso. Todos têm de se beneficiar das possibilidades, sem preconceitos.

 

Quais são os planos para o futuro?


Nossos planos atuais são gravar o CD oficial de estréia, conseguir um selo disposto a lançar o trabalho e, durante esse período, divulgar ainda mais o nome POSTWAR. Vamos, por exemplo, aproveitar a nossa ida para Belo Horizonte (durante a gravação) para fazermos fortes contatos e fecharmos datas por lá. No momento, estamos também fechando datas em outros estados, como SC, BA e shows no interior de São Paulo. Após o lançamento, o nosso intuito é divulgar e tocar em todos os locais possíveis, dividindo o palco com as bandas das quais admiramos. Então, após isso, é voltar pra composição de novos sons e pensar no segundo Play. Um degrau de cada vez, mas sempre no caminho.

 

Obrigado pela entrevista Cleber. Parabéns por “Attack”, o espaço aqui é todo seu...


Muito obrigado Jesley e a todos da Rock Music pela incrível oportunidade de passarmos um pouco do que a banda POSTWAR é, e pela possibilidade de contarmos um pouco de nossa história. Quero aproveitar e mandar um grande abraço aos meus irmãos de banda que estão juntos na batalha e agradecer a todos os amigos, seja da internet, seja das baladas, seja os amigos que fizemos durante as nossas apresentações... Acreditem, se o POSTWAR conquistou algo até o momento, é por causa do apoio de todos vocês. E em breve teremos material de estréia nas lojas. Aguardem, pois o ataque apenas começou.

 

POSTWAR - Thrash Metal ABC
Site: 
www.postwar.rg3.net / http://br.geocities.com/postwarattack
Myspace: www.myspace.com/postwarmetal
Sons (áudio): www.tramavirtual.com/postwar
Comunidade no Orkut http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=5234432
Contatos: Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email
Fone: +55 (11) 9738.1084 / 8523.5411
Endereço: Rua Petrogrado, 1350 – Jardim Santo Alberto – CEP 09260-450 – Santo André – SP - Brasil.

 
Próximo >


| Rock Music © Copyright 2004 / 2008 - Todos os direitos reservados |Política de Privacidade |