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(23/08) - Afinal, o que seria o Indie? Imprimir E-mail
Escrito por Evelise Kowalckyk dos Santos   
23-Ago-2007

 

Creio que se esse "gênero" não tivesse sido aplicado, desde o início da década de 1980 em ínúmeras e diferentes situações e por diferentes tipos de bandas, talvez hoje não houvessem tantas confusões a nos circundar. Não obstante as próprias mudanças do Indie, surgiram modas que descaracterizaram muitos grupos, simplesmente por se valerem de seus recursos e muitas vezes até do estilo dos apreciadores, acredite quem quiser. Por bem do entendimento, explicarei o Indie e farei menções ao Alternativo.

E vamos então ao que interessa:
 

O Indie da Inglaterra, foi atribuído às bandas que emergiram do Punk e de outros tipos alternativos do Rock, bandas que se caracterizavam por lançarem seus álbuns em pequenas gravadoras, sem se preocupar com a cena em vigor, ou seja: independente dela.
Logo, o Indie começou a ser associado com o estilo de Rock Alternativo, no nome de artistas como por exemplo os músicos do Aztec Camera e do Orange Juice, do Indie Pop (e que hoje são considerados em muitos lugares como New Wave). As outras bandas britânicas que definiram estilo na década de 80 foram: The Stone Roses, The Jesus and Mary Chain e The Smiths.
Todos esses grupos, de algum jeito, influenciaram alguns movimentos alternativos do Rock (como o Shoegaze e o BritPop). E tornou-se comum os britânicos chamarem de Indie qualquer forma alternativa de rock, generalização que hoje chega a nos confundir.
 

Já nos Estados Unidos, o Indie começou a ser visto em bandas de Rock Alternativo que sofreram influência do Punk Rock e Hardcore, e datam do final da década de 70. Em contrapartida, o Indie americano foi associado com bandas que tinham som forte e distorcido, como por exemplo Hüsker Dü e Sonic Youth.
Para que você se situe no tempo: logo depois, já na década de 90, bandas alternativas de Grunge (como Nirvana e Pearl Jam) emplacaram sucessos, o que colocou em evidência o cenário alternativo, atraindo gravadoras para bandas pró-comerciais com idéias retrô (conservadoras).

Seja como for, saiba: muitas das bandas que estouraram, viraram Brit Pop, umas viraram simplesmente Pop/Pop Rock, e outras continuaram sendo Indies, mas outras tantas, que foram para grandes gravadoras e continuaram a se chamar de Indies, talvez tenham contribuído potencialmente em tanta confusão, e isso continua acontecendo.
  

Acreditem, não estou sugerindo que as bandas devessem mudar sua auto-denominação em prol de nós ouvintes, que só podemos nos informar dos fatos e tirar nossas próprias conclusões (por mais deturpadas que sejam), estou apenas contextualizando melhor a história viva do nosso ainda recente Indie.
 
Mas deixando os selos e gravadoras de lado, e por falar em História do Indie, se pergunte: e depois?

Bom, após tudo isso, o Alternativo deixou de ser caracterizado como uma contra-cultura, para ser uma cultura de sucesso e que apela ao grande público, ao passo que o Indie ficou com as bandas que permaneceram na cena underground.
E talvez essa seja a explicação mais plausível de todas.
  

Pra finalizar, lembre sempre que não só o Indie, mas todo o Rock, não está imutável. E ao ver indies com calças justas, tênis estilo Vans/All Star e estampas xadrez, lembre que os Indies que não adeptos de tudo isso, podem preferir ir à um café e conversar ou ler livros e filmes Cult, do que consumir bebidas alcoólicas, e podem preferir não se envolverem em brigas, ou ainda andar em trios, mas o som que eles e os outros escutam, é o mesmo.
Pois, de fato, o Rock está se democratizando em vários aspectos.
 
Então, escute o que escutar, rotule como quiser, mas só se for impossível não rotular, e não desviemos a atenção do que interessa: Vamos cuidar do que é nosso!

 
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