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Independência, ou morte? Imprimir E-mail
Escrito por Evelise Kowalckyk dos Santos   
30-Jul-2007


Banda de rock independente desse país começa assim: alguns amigos que se juntam, e gostam de fazer um som, na garagem do pai mesmo, então desejam ir mais longe, e serem reconhecidos por todo esse esforço, talvez - e na melhor das hipóteses.
Como difícil é a banda sair com apoio e show's marcados por todo canto antes de muita labuta - a não ser que você tenha a sorte, que eu chamaria de azar, de ser apadrinhado - a saída é fazer funcionar como hobbie, e se dedicar à alguma outra coisa paralela.

Se não fosse pela paixão, você veria muitas bandas mais acabando precocemente do que o usual, e acredite, isso seria um prenúncio da incapacidade da população de aceitar o que quer ouvir, já que as grandes mídias veiculariam o que lhes interessasse.

Então, todo mundo que aprecia boa música devia agradecer ao espaço que revistas e Tv's têm usado para privilegiar o Rock Independente ( Como o programa Frente, que Henrique Portugal, tecladista do Skank, apresenta. E também O Jornal da MTV, com a Seção Bandas Novas), mas a verdade é que sempre faltou, de fato, apoio por parte das gravadoras e dispersão de notícias.

Boas novas, pois depois de muito tempo, já conseguimos enxergar, num presente bem acessível, não apenas bandas independentes, mas também selos, revistas e casas de shows especializadas nesse "novo" segmento.

E a explicação é simples: enquanto você pode gostar de cem bandas diferentes, as bandas que explodem na nossa mídia cotidiana são escolhas feitas por dois ou três chefões da mídia brasileira, apenas. E sabendo que a cena independente dá mais espaço para a diversidade e possibilita às bandas um público mais fiel do que as bandas de "modinha" possuem, chega a parecer burrice uma banda independente querer sair desse meio.

Mas então, a "burrice" se torna necessidade: não há maneira de se sobreviver de música quando se é uma banda independente, não por muito tempo, pelo menos.
Tome por exemplo a banda curitibana A-Ok, que no Dia Mundial do Rock, deu aos fãs a triste notícia de não poder mais continuar tocando, pois como Daniel disse: "[...] infelizmente banda independente rockeira brasileira ainda não tem mercado e nem mídia para se sustentar, pelo menos a gente não. Você tem que ter vida dupla, e nessa PORRA nem uma coisa e nem outra sai direito. No seu trabalho você é o rockeiro de banda e na sua banda você não pode viajar pra onde você quer porque você é o empregado pontual[...]"
Essa foi uma "despedida" digna dos grandes espelhos que os caras dessa banda foram para nós, e creio que ficou bem explicada a atual situação nacional.

É claro que existe banda independente que já tem público próprio, e chama uma ou duas bandas amigas e consegue fechar uma casa tranqüilamente, mas isso é exceção, a regra geral depende de muito suor e perseverança, além de trabalho por fora.
Os festivais se dispersaram de uma maneira totalmente propícia a qualquer banda independente, oferecendo a um público sedento de novidades um leque imenso de possibilidades, com toda organização e qualidades possíveis, o que era uma exceção em show próprios e inviabilizava uma crescente prosperidade.

Se, agora, a situação está em crescente expansão, isso não significa que possamos cruzar os braços e esperar pelas nossas bandas preferidas cada vez mais ao nosso alcance, significa que cada vez mais é a hora de apoiar aquilo que é nosso interesse e interagir para que a música independente não caia nas mãos de quem não o faz por pura paixão.
Vamos cuidar do que é nosso!

 
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