| Entrevista: Hammerfall - Suécia |
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| Escrito por Camila Martucheli | |
| 30-Jul-2007 | |
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Hammerfall é uma banda sueca de power metal. Ela nasceu em 1993 quando Oscar Dranjäk, saiu da banda Ceremonial Oath e convidou Jesper Strömblad (do In Flames, e também um integrante original da banda Ceremonial Oath) para um novo projeto musical que ele estava idealizando.
Em Janeiro de 1997, o selo alemão Nuclear Blast se aproximou mais da Vic Records e, conseqüentemente do HammerFall, mostrando grande interesse no produto. O encontro resultou num lançamento licenciado de seu CD de estréia e um álbum de 4 faixas logo em seguida.
Através dos anos, a banda teve algumas mudanças na line-up, mas em 1998 consiste em: Joacim Cans - Vocais, Oscar Dronjak - Guitarra, Stefan Elmgren - Guitarra, Patrik Räfling - bateria. O baixista que toca no CD, Fredrik Larsson, deixou a banda, e sua posição é ocupada por Magnus Rosén, que já trabalhou com Mark Boals, Jörg Fisher e Anders Johansson. Há também, um sexto membro, Jesper Strömblad (do In Flames). Embora não mais um membro ativo da banda, Jesper participa no processo de escrita de músicas junto com Oscar e Joacim, na intenção de preservar a fórmula especial que faz o HammerFall.
Rock Music: O que você acha da comparação que as pessoas geralmente fazem entre o Hammerfall e banda de metal melódico como Angra ou Stratovarius? Oscar Dronjak: Eu não acho que temos tanto em comum. Depende do ângulo que você está olhando. Se você olhar por fora do Heavy Metal, você vai ver muitas semelhanças, mas se você olhar por dentro dos estilos, verá que nós somos mais como Judas Priest. Por exemplo, Angra e Stratovarius não são tão embasados em riffs pesados de guitarra quanto são em melodias. Nós já somos embasados em ambos. RM: Você acha que o Hammerfall se encaixa na definição de “true”? Oscar: Bom, eu tenho certeza absoluta que tocamos heavy metal e pra mim essa é a única forma de música “true”, no entanto, isso é só minha opinião. Acho que cada pessoa deve ter sua própria definição do que é “true” e do que não é para ele, por isso não gosto muito do termo “true” metal, mas heavy metal, sim. RM: Então a palavra “true” não significa muita coisa? Oscar: Significa coisas diferentes para pessoas diferentes. Por isso é tido como um mal-entendido. RM: O novo álbum tem muitas novidades. Você acredita que isso seja responsável por uma mudança no som da banda? Oscar: Sim, claro, o modo como o álbum soa representa a direção que estamos tomando. Eu acho que nós aproximamos nesse álbum daquilo que nós fizemos em todos os demais álbuns. Nós tentamos pegar o que já tínhamos e basear o álbum no mesmo estilo, porque é isso que amamos, mas trazendo um som novo e fresco. RM: O que você achou da reação e da recepção das pessoas que vão aos shows? Oscar: Muito boa. Nós tocamos cerca de seis novas músicas, o que é muito para nós, e até agora tem sido espetacular. As pessoas parecem curti-las tanto quanto curtem as músicas antigas. Essas músicas novas também, ao longo das turnês vão se tornando músicas velhas e com certeza haverá espaço pra elas nos shows. RM: Ainda sobre o novo álbum, qual a temática dele? E dos shows da turnê? Oscar: Nós decidimos por o guerreiro, que sempre aparece na capa dos nossos álbuns, aliás o nome dele é Hector, em um ambiente que ele nunca esteve antes que é em um clima ártico. Por sermos da Suécia é bem comum para nós, mas surpreendentemente ainda não tínhamos escolhido essa ambientação. Nós decidimos utilizar esse tema nos palcos da nova turnê também, mas vocês infelizmente não poderão presenciar hoje, porque o palco não tem condições para isso, a estrutura que criamos é realmente grande e não podemos usá-la em todos os lugares que tocamos. Amanhã em São Paulo nós teremos muito mais do que aqui, com toda a estrutura montada e o espetáculo em quase todo seu potencial. No entanto não há problema em tocar em lugares pequenos. É divertido, desde que tenhamos um bom som e acústica. RM: O fato da banda pertencer à Nuclear Blast Records, a mesma de Nightwish e Edguy, afeta o processo de produção musical, no que diz respeito ao lado comercial? Oscar: A gravadora não tem mando sobre o conteúdo do álbum. É claro que eu ouço o que nosso representante da gravadora, Mat Sinner do Primal Fear, tem a falar, porque acho válida sua opinião. No entanto, no fim quem decide somos nós da banda, o que eu acho certo, pois se houvesse intervenção no que compomos, estaríamos acabados. RM: O que significa o nome do álbum (Chapter V: Unbent, Unbowed, Unbroken)? Oscar: Chapter V mostra que é nosso quinto disco de estúdio, obviamente. “Unbent, unbowed, unbroken” tem uma longa história. Acontece que quando lançamos nosso primeiro álbum éramos o oposto do que era “cool” na época, que era tocar músicas agressivas, e nós baseávamos nossa música em melodias e heavy metal. Pelo Fato de sermos tão “oh” algumas pessoas que procuravam por coisas novas gostaram do nosso estilo por não estarmos seguindo a corrente, o que eu acredito que nunca fizemos e nunca faremos, porque senão não tocaríamos o estilo que tocamos. De 93, quando a banda começou, até 96, quando lançamos o primeiro álbum, o heavy metal era algo fora de moda, principalmente na Suécia, mas também na Alemanha e no resto da Europa. É bom ver que essa situação mudou. As pessoas começaram a dizer sim para as coisas novas. O álbum Renegade foi o que mais repercutiu: começamos a aparecer na tv, ganhamos mais fãs, vendemos mais álbuns, coisas assim, que fizeram com que parecesse que estávamos nos vendendo, o que obviamente não aconteceu. As pessoas falam muito e eu acho que internet contribui com esse modo covarde de expressar suas idéias sem que ninguém saiba realmente quem você é. Outro dia um cara falou comigo que foi comprar o álbum Renegade e tinha uma garota de 14 anos comprando o álbum e que ele acabou desistindo, porque como ele iria comprar um disco que uma garota de 14 anos estava comprando. Para mim isso é estúpido, parar de ouvir algo só porque uma outra pessoa ou um outro tipo de pessoa está ouvindo também, não importando se você realmente gosta ou não. Nós tentamos não preocupar com essas coisas, continuamos do mesmo jeito, tocando heavy metal, nos divertindo nas turnês e nos shows. Outro fato que aconteceu foi em 2002, logo após o lançamento de Crimson Thunder quando um cara atacou Joacim Cans (vocalista) só porque não gostava de Hammerfall. A inveja dos suecos é algo muito violento e isso é algo que não deveria acontecer em lugar nenhum e com ninguém, principalmente por um motivo desses. Nós da banda não fazemos nada contra ninguém, só tocamos a nossa música. Nessas horas eu pensava em toda essa crítica que recebíamos e não replicávamos, porque eu acho que esse tipo de gente não precisa ser dignificado com uma resposta. Eu ainda acho que eles não merecem ser respondidos diretamente, mas também penso: por quanto tempo vamos ficar parados frente a esses ataques? Temos que por um fim nisso, então esse novo álbum tem mais atitude, tem mais “fuck you”, se é que você me entende. Por exemplo, as músicas Hammer Of Justice e Fury Of The Wild são músicas de vingança, é nosso modo de dizer que não importa o que você diz sobre nós ou para nós, porque estamos fazendo o que sempre fizemos por todos esses 8 anos sem sinal de mudança. Então não importa o que dizem pois nós seremos unbent, unbowed e unbroken. RM: Em video-clipes como Hearts On Fire, a banda se apresenta com um visual caracteristicamente poser. Vocês se consideram posers? Oscar: Eu gosto de ser poser. Todo mundo gosta. É o que falei sobre 93, 94 onde o que todos faziam era subir no palco com roupas normais, jeans, camiseta... é como se pegassem qualquer pessoa das ruas e botasse no palco. Não havia ação ou movimento e não é isso que pretendíamos. O Heavy Metal, que é o que a gente ama, deve ser feito com paixão e não tristeza e sofrimento. Se você olhasse para o Iron Maiden, Dio ou qualquer banda dos anos 80, via alegria, era divertido de assistir. Heavy Metal não é só alguém tocando para alguém, é fazer com que o público se envolva, trazendo-os para dentro do show, fazendo-os cantar... O palco é o nosso lugar de dizer ao público que essa é uma ocasião especial. Quando começamos a fazer essas coisas, ninguém ainda estava fazendo, e nós vimos essa mentalidade mudar entre os anos de 95, 96 e 97. Sendo um fã de Heavy Metal e vendo a mudança que provocamos na cena, eu sei que vou guardar isso para sempre. Eu fiz meu trabalho, nós fizemos, e estamos muito orgulhosos com isso. RM: O que você acha do público do Brasil? Acha que é diferente dos demais países? Oscar: Todos são diferentes. Os fãs de Heavy Metal são parecidos em todo mundo porque eles dividem o amor pela música, mas mesmo assim há diferenças. O público brasileiro é muito importante para nós, porque eles comparecem aos shows aos montes e porque eles não desinibidos, fazem o que querem, são um grande público. A grande diferença é que as pessoas de outros países costumam a olhar muito para o que os outros fazem, enquanto aqui no Brasil ninguém liga, cada um faz o que quiser na hora que quiser, são bem loucos e fodam-se os outros.
Tradução: Ana Paula Pimentel |
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